Ensino
25 anos ensinando economia: o que mudou
Comecei a dar aulas em 2001. De lá para cá, a sala de aula mudou mais do que em muitas décadas antes. Mudaram as ferramentas, mudou o jeito de o aluno chegar à informação e mudou o que o mercado espera de quem se forma. Mas algumas coisas continuam exatamente iguais, e são elas que eu quero contar aqui.
O que mudou
A informação deixou de ser escassa. No começo, o professor era uma das poucas fontes do conteúdo: o aluno dependia da aula e do livro da biblioteca. Hoje, qualquer definição está a um toque no celular. Isso mudou o papel do professor, que deixou de ser quem entrega a informação e passou a ser quem ajuda a separar o que é bom do que é ruim.
As ferramentas também mudaram. Saímos do quadro e da calculadora financeira para a planilha, da planilha para os programas e, agora, para a inteligência artificial. Cada mudança assustou um pouco e, em cada uma, quem aprendeu a usar a ferramenta com critério saiu na frente.
E mudou a economia que ensinamos. Nesses anos, o Brasil passou por crises, por mudanças nos juros, na inflação e no câmbio, e por transformações no mundo do trabalho. Cada crise virou exemplo em sala de aula, e os alunos aprendem muito mais quando reconhecem a teoria no noticiário.
A informação ficou fácil. Entender o que ela significa continua difícil, e é para isso que serve a aula.
O que continua igual
O aluno continua aprendendo melhor quando faz. Uma fórmula decorada some depois da prova; um problema resolvido com as próprias mãos fica. Por isso sempre puxei as aulas para a prática, e por isso hoje meus alunos constroem programas em vez de só resolver listas de exercícios.
A curiosidade continua sendo o motor de tudo. A pergunta "mas por que isso acontece?" vale mais do que qualquer resposta pronta, em 2001 ou em 2026.
E a relação entre professor e aluno continua no centro. Nenhuma tecnologia substitui o momento em que alguém entende uma ideia que parecia impossível e percebe que é capaz.
O que vem por aí
Não sei como estará a sala de aula daqui a 25 anos. Mas sei que o professor que continuar aprendendo, junto com os alunos, vai continuar tendo muito a ensinar.
