Prof. Ms. Caio HaffnerEconomia · Ensino · IA

IA na educação

Por que levei a IA para a sala de aula

9 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Quando as ferramentas de inteligência artificial chegaram aos celulares dos alunos, a primeira reação de muita gente foi proibir. Eu entendo o medo: se a máquina escreve a resposta, o que sobra do aprendizado? Mas proibir algo que está no bolso de todo mundo não funciona, e fingir que ela não existe é pior. O aluno vai usar de qualquer jeito, só que sozinho e sem critério.

Por isso decidi fazer o contrário: levar a IA para dentro da aula, com regras claras. O resultado virou o Laboratório Codex, um conjunto de apostilas em que os alunos usam um agente de IA para transformar o conteúdo da disciplina em programas que funcionam.

A IA não substitui o entendimento

A primeira regra do laboratório é simples: todo material produzido com IA precisa de auditoria humana. Sempre. O aluno pede à IA um programa que calcula o preço ótimo de um produto, por exemplo, mas só aceita o resultado depois de conferir a conta à mão, com os números da apostila. Se não bate, ele precisa descobrir por quê.

Quem não entende o conteúdo não consegue conferir o que a máquina fez. É aí que o aprendizado acontece.

Isso muda o papel do aluno. Ele deixa de ser quem decora a fórmula e passa a ser quem pede, confere, testa e explica. São exatamente as habilidades que o mercado de trabalho vai cobrar dele.

Pedir bem é uma habilidade

A segunda lição é que pedir bem dá trabalho. "Faça um programa de finanças" não leva a lugar nenhum. "Calcule o valor futuro de R$ 1.000 a 1% ao mês por 12 meses e mostre a conta" leva. Para escrever um bom pedido, o aluno precisa saber o que quer, e isso exige entender a matéria.

Nas apostilas, cada exercício traz o pedido pronto no começo e, aos poucos, o aluno passa a escrever os seus. No fim, ele constrói um aplicativo completo da sua disciplina, publica na internet e coloca no portfólio.

O que eu ganhei com isso

Ganhei alunos mais curiosos. Quando o programa dá um número estranho, a pergunta "por que deu isso?" aparece sozinha, e é a melhor pergunta que um professor pode ouvir. Ganhei também uma forma nova de mostrar que Economia e Finanças servem para resolver problemas reais.

A inteligência artificial não vai substituir o professor. Mas o professor que ensina a usá-la com responsabilidade presta um serviço enorme a quem está começando a carreira.

Caio HaffnerEconomista, mestre em Desenvolvimento Econômico (Unicamp) e professor universitário
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